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Ataque a escola que matou quase 200 crianças iranianas atribuído aos Estados Unidos em nova investigação

Imagens de satélite, análises de peritos, afirmações de um dirigente dos Estados Unidos e informação divulgada por militares norte-americanos e israelitas sugerem que a morte de quase 200 crianças iranianas por um ataque aéreo é atribuível aos norte-americanos.

O trabalho de recolha da informação foi feito pela agência de notícias Associated Press (AP).

Ocorrido em 28 de fevereiro, o ataque à escola primária feminina Shajareh Tayyebeh causou 165 mortes e suscitou fortes críticas das Nações Unidas e observadores dos direitos humanos.

A escola situa-se na cidade de Minab, 1100 quilómetros a sudeste de Teerão.

O Irão responsabilizou Estados Unidos e Israel pelo ataque, que não aceitaram a responsabilidade.

Mas vários fatores apontam para os Estados Unidos enquanto autores do ataque.

Um é o lançamento de um inquérito ao incidente pelos militares norte-americanos, procedimento-padrão depois de um grupo de investigadores fazer um apuramento inicial que aponte para a culpabilidade norte-americana. Um oficial disse à AP, sob anonimato, que o ataque foi provavelmente realizado pelos Estados Unidos.

Outro é a localização da escola: nas proximidades da base da Guarda Revolucionária na província de Hormozgan e próxima das instalações da sua brigada naval.

Israel tem atacado o Irão, mas não há relatos de que tenha feito ataques a sul de Isfahan. Os Estados Unidos têm navios de guerra no Golfo Pérsico, incluindo o porta-aviões USS Abraham Lincoln, com a escola no seu raio de ação.

Quando inquirido pela AP sobre esta informação, o porta-voz do Comando Central, capitão Tim Hawkins, disse: “Não é apropriado fazer comentários a um incidente que está sob investigação.”

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse esta sexta-feira a jornalistas que não tinha informação atualizada sobre a investigação.

A escola está junto a um espaço muralhado, designado em mapas como o Complexo Cultural Seyyed Al-Shohada da Guarda.

O ataque causou uma condenação geral, desde logo do secretário-geral da ONU. As críticas seguem-se também a várias notícias de ataques a outras escolas no Irão.

Atacar escolas é uma violação clara do direito internacional que regula os conflitos armados, disse Elise Baker, uma advogada sénior de um centro de reflexão em Washington, o Atlantic Council.

“Os ataques legalmente apenas podem atingir objetivos limitares e combatentes, mas a escola era uma instalação civil e os estudantes e professores eram civis”, disse Baker. “A proximidade da escola das instalações (da Guarda) e a frequência dos filhos dos seus membros (da Guarda) não mudam a conclusão: era uma instalação civil.”

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