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Estudantes exigem ao Presidente Seguro compromisso para pôr fim aos fósseis até 2030 | António José Seguro


Estudantes concentraram-se em Lisboa para exigir que o novo Presidente da República, José António Seguro, assuma um compromisso explícito com o fim dos combustíveis fósseis até 2030. O protesto — convocado pela Greve Climática Estudantil e pelo Climáximo — reuniu dezenas de jovens num percurso entre o Largo do Rato e a Assembleia da República, onde decorrem as cerimónias oficiais de tomada de posse do chefe de Estado.

“Seguro tem vindo a mencionar as alterações climáticas na campanha presidencial, mas isso é claramente pouco. Isto porque, neste momento, seria impossível não o fazer, tendo em conta a devastação total e absoluta que este comboio de tempestades criou no nosso país” afirma ao PÚBLICO Matilde Ventura, porta-voz da iniciativa durante a manifestação.

Questionada sobre os limites da actuação de um Presidente da República em Portugal, Matilde Ventura reconhece que António José Seguro não terá poderes executivos para impor um plano climático; mas sublinha que os jovens mantêm a expectativa política de que o gabinete presidencial use a sua influência institucional para pressionar o Governo.

Os estudantes, segundo Matilde Ventura, esperam “um plano concreto para travar a crise climática” e não apenas “promessas vagas”. “Talvez em 2019 nos contentássemos com o Presidente que menciona as alterações climáticas. Em 2026, e depois das mortes que aconteceram [durante as tempestades], isso não é suficiente”, refere a activista na Greve Climática Estudantil.

No início da manhã de segunda-feira, piquetes estudantis impediram a entrada nas escolas Camões e António Arroio, com jovens a justificar a paralisação como um “sacrifício necessário” perante uma ameaça – a crise climática – que descrevem como “existencial”, refere um comunicado do colectivo ambientalista Climáximo.

“Estudamos para ter um futuro, mas para que serve isso quando estão a vender as nossas vidas?”, afirmou Salomé Duarte, 17 anos, citada no mesmo documento. A estudante lembra que as tempestades do último mês levaram ao fecho e destruição de dezenas de escolas na região Centro.

O Presidente tem um papel

O protesto ganhou força à medida que mais grupos se juntaram, incluindo, já próximo do Parlamento, activistas de outras instituições. Ao PÚBLICO, a porta‑voz Matilde Ventura descreveu uma adesão crescente ao longo da manhã, confirmando que, além das escolas secundárias de Camões, António Arroio e da Faculdade de Letras de Lisboa, chegariam também estudantes da de Ciências.

“Seguro, neste momento, tem planos para vender a nossa vida”, acusou, defendendo que o Presidente deve usar os seus poderes para garantir que o Governo cria um plano para o Fim ao Fóssil até 2030 e, “caso isso não aconteça”, deve “intervir e limitar o Governo”.

Numa carta enviada ao Presidente — ainda sem resposta, dizem os estudantes —, a Greve Climática Estudantil insiste na necessidade de abandonar combustíveis fósseis até ao final da década. A crítica estende‑se também à actual forma de aplicação da transição energética, marcada por grandes projectos solares em “territórios vulneráveis”, como é o caso das propostas existentes para a Baixa Baixa.

Matilde Ventura rejeita “monoculturas solares” e defende “uma electrificação a partir de fontes renováveis de forma descentralizada e democrática”, recusando o que descreve como “capitalismo verde”.

Nova configuração geopolítica

A dimensão geopolítica da crise também marcou os discursos desta manhã. Os estudantes ligam a escalada de conflitos internacionais — incluindo os ataques recentes dos Estados Unidos ao Irão e à Venezuela, bem com o bloqueio a Cuba — aos interesses associados aos combustíveis fósseis.

“As guerras a que assistimos estão profundamente ligadas ao controlo de recursos energéticos”, afirmou José Borges, 17 anos, outro porta‑voz da manifestação, citado numa nota de impressa da Climáximo. “A única forma de travar esta destruição, é deixarmos de usar combustíveis fósseis até 2030.”

A meio da tarde, os estudantes planeiam continuar a pressão política em frente ao Palácio de Belém, onde está convocada uma assembleia popular. “Interrompemos o normal funcionamento da tomada de posse e vamos continuar em Belém”, garante Matilde Ventura. A organização espera que, além do movimento estudantil, se juntem professores, médicos, artistas, pais e mães, num protesto prolongado ao longo do dia.

A manifestação foi acompanhada por observadores da Amnistia Internacional, no âmbito do projecto “Proteger a Liberdade”, criado para monitorizar eventuais restrições aos direitos de manifestação e reunião, refere a agência Lusa.



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