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Chega pronto para era com Passos, Ventura sem ego – Observador



A hipótese de não chegar a primeiro-ministro (para já) foi assumida abertamente pelo próprio. Mas Ventura vai dando espaço a outra narrativa ao dizer que na política procura “pôr o país à frente dos interesses e desejos” pessoais. “Isso significa que o que me preocupa é que o país fique bem e o país fica melhor com pessoas como Pedro Passos Coelho.”

No núcleo duro do partido recorda-se o “esforço” feito depois da primeira vitória de Luís Montenegro e o facto de ter dito que “não era uma questão de pastas ou de ser número dois”. “Não vejo André Ventura a exigir ser vice-primeiro-ministro”, comenta um alto dirigente do partido, enquanto outro tira uma conclusão idêntica: “André Ventura não ser primeiro-ministro não era problema se Passos Coelho vencesse.”

A meio das eleições presidenciais, Diogo Pacheco Amorim tinha assumido, em entrevista ao Observador, que um hipotético regresso de Pedro Passos Coelho ao PSD iria “diminuir ou anular a margem de crescimento” do Chega. A verdade é que o Chega cresceu no PSD pós-Passos, liderado por um apreciador de Passos e rodeado por vários seguidores passistas. Se o antigo primeiro-ministro voltasse, poderia provocar um efeito de arrastamento e recuperar uma parte — não toda — do eleitorado que vota agora no Chega.

Uma fonte do Chega explica que a preocupação de perder eleitorado não tem, por enquanto, qualquer relação com a realidade. Se há consciência de que há um “eleitorado em comum” entre Passos e o Chega, também se considera que o “eleitorado fixo já não sai para a AD” e que é possível “ir buscar uma fração de descontentes de Montenegro que estão a ver toda esta história de Passos como uma afronta”. “Podíamos capitalizar aí”, explica a mesma fonte.

Ainda assim, o dilema existe e é evidente: continuar a crescer e continuar a bater nas resistências do PSD; ou torcer pelo regresso de um líder social-democrata pró-Chega mesmo que isso signifique um tropeção eleitoral. Nessa mesma entrevista, Pacheco Amorim antecipou uma questão após concluir que poderiam existir consequências eleitorais. “É benéfico ou não para o país fazermos uma coligação? É fundamental. Se não deitarmos a mão a isto muito rapidamente fica complicado”, vincou o ideólogo do Chega, reconhecendo que só Passos estaria em condições de o fazer neste momento. Seria mau para o Chega, concedeu, mas seria “bom para o país”.

Na entourage de Ventura esta convicção encontra ecos. “Não temos medo que Passos Coelho volte, achamos bom para o país”, assegura uma fonte da direção ao Observador, enquanto outra desenvolve a tese de outra forma: “Antes André Ventura ser segundo do Passos do que continuar líder da oposição com Luís Montenegro”. De resto, corre no partido a tese de que Passos pretende apenas voltar para fazer um mandato e vingar a forma como caiu pós-geringonça. Por isso, no futuro próximo, André Ventura poderia até recolher os louros de uma coligação pós-eleitoral que surtisse efeito.





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