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Cartas ao director | Opinião


Cultura em Lisboa

Francisco Frazão e Rita Rato acabam de ser exonerados pela EGEAC, respectivamente, do Teatro do Bairro Alto e do Museu do Aljube. Pessoalmente, não conheço nenhum deles. Cheira-me a saneamento político dado não terem sido dadas justificações para tal.

Domicília Costa, Vila Nova de Gaia

Viva la muerte e abaixo a cultura…

O grito abajo la inteligencia que a 12 de Outubro de 1936 foi gritado pelo general franquista Millán Astray na Universidade de Salamanca contra o discurso de Unamuno, assim se opondo a qualquer forma de conhecimento que pudesse enfrentar a nova ordem fascista prestes a tomar o poder, está de volta ao nosso mundo. Só passaram noventa anos. Pensou-se, eu incluído, que após o sobressalto colectivo de duas Guerras Mundias, do Holocausto nazi, das repressões de povos, do 11 de Setembro, e de mil barbáries que mostraram o lado mais desumano do nosso género, a força da tolerância, do diálogo e da razão, com sede na ONU, parecia ser dado consensual e conquista assente na (apesar de tudo frágil) geopolítica.

Erro meu e de quem ainda acredita no poder que a cultura de partilha deveria espalhar aos quatro ventos ao convidar ao conhecimento, à fruição das artes e ao salutar debate de ideias na diversidade. O que vemos agora é um chefe do Pentágono chamado Pete Hegseth, já de péssima memória, elogiar “a morte que chega do céu” numa invasão à revelia de todas as leis e consensos estabelecidos entre nações, como se o assassínio de populações indefesas fosse um feito digno de aplauso e que honra a agenda Trump como “paladino da paz”!!! E como dói ver-se e ouvir-se uma legião de comentadores a branquear os monstros e a elogiar-lhes a estratégia belicista… <_o3a_p>

O deserto cavado pelo desaparecimento de tantos vultos da cultura e das letras que partem (agora, António Lobo Antunes, Mário Zambujal…) já não serve de alerta e de aviso; isso foi num tempo, ainda recente, em que os bons serviços eram espelho de exemplos a destacar. Agora, o que parece importar a muitos possidentes é investir às claras contra os agentes culturais que ainda asseguram serviço público de qualidade. Que tal comece a sentir-se sem peias neste país é razão de alerta! O afastamento de Francisco Frazão do Teatro do Bairro Alto, de Rita Rato do Museu do Aljube, de Ana Paula Amendoeira da CCDR-Alentejo, entre outros afastamentos mascarados de “não renovações”, só augura depauperamento insuperável e só traz menos e pior democracia. E talvez seja esse o claro objectivo destes novos cruzados investidos da missão de invectivar o Saber: letras, artes, ideias, patrimónios comuns serão ameaças a uma nova ordem mundial tão desejada por tais forças.

A ameaça aos agentes culturais e à própria ideia de cultura de partilha é já um facto — não é um sintoma pontual. O que exige da opinião pública pensante um protesto que tarda e uma afirmação fortíssima das valências que estão em causa. Porque sim, a cultura é e não pode deixar de ser uma mais-valia das democracias e do progresso social.<_o3a_p>

Vítor Serrão, Santarém

Não dá para acreditar

Foi com enorme espanto que vi a notícia de que na feira das saídas profissionais da responsabilidade da AIP — Associação Industrial Portuguesa, com o nome de Futurália, há um stand do Chega com referências idênticas às dos cartazes da campanha eleitoral com a indicação “Isto não é o Bangladesch” e que teve a visita do presidente do partido. Pela imagem publicada na imprensa, com uma razoável adesão de um grupo de jovens. Começa por não se entender por que razão numa feira sobre o futuro profissional há-de estar propaganda partidária seja ela qual for. Acresce que a feira é da responsabilidade de uma entidade que faz parte da concertação social. Fomentar nas camadas mais jovens o racismo não se coaduna com o que deve ser a educação/formação. Realmente não dá para acreditar.

António Barbosa, Porto

Morreu o “bom malandro”

O decano do jornalismo português e grande escritor, homem multifacetado, morreu anteontem, uma semana depois de ter completado a bonita idade de 90 anos. Mário Zambujal, pai dos Bons Malandros, obra (entre muitas outras que escreveu) publicada em 1980, e que foi adaptada para o cinema e fez grande sucesso como A Crónica dos Bons Malandros. Este alentejano de Moura, que se apaixonou pelo Algarve, foi jornalista em várias publicações, como A Bola, Record, O Século, Diário de Notícias, Se7e, Tal & Qual e 24 horas. Homem do pequeno ecrã e da rádio. Foi presidente do Clube de Jornalistas. O mundo das letras fica órfão dessa ilustre figura que marcou gerações.

Mário da Silva Jesus, Codivel

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