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Fiat Grande Panda, a virtude da simplicidade | Motores – Teste


O primeiro impacto resume-se numa palavra: descomplicado. Nos últimos anos, as marcas encareceram os carros, enchendo-os de opções e configurações e tecnologia, fazendo-nos acreditar que precisamos de muito mais do que aquilo que, efectivamente, acabamos por utilizar. Complicando, portanto.

Uma semana a viver com a versão híbrida do Fiat Grande Panda cimentou a ideia de que um automóvel prático é aquele em que se entra, roda a chave (uma relíquia!) e anda. A segurança — que é sempre o mais importante — está lá, seja na eficiência de travagem, seja nos sensores de detecção de fadiga, no aviso de transposição de faixa ou na travagem de emergência com detecção de peões e ciclistas.

O que importa ter, este carro tem. Um ecrã eficaz com dez polegadas e ligação sem fios ao telemóvel (Android Auto e Apple CarPlay), carregamento wireless, duas portas USB-C e meia dúzia de ajustes básicos na consola digital. Conta-rotações? Não precisa, a gestão do motor trata do assunto.

O Fiat Grande Panda foi apresentado no Verão de 2024. Primeiro chegou o elétrico, agora o híbrido, mais tarde o modelo a gasolina
Fiat

Com 1200 de cilindrada e turbo, o bloco de três cilindros não entusiasma, mas é competente para o que se propõe: ser um pequeno SUV citadino que também se faz à estrada com conforto. Talvez a característica mais relevante neste modelo seja o consumo, que no pára-arranca se fixa nos cinco litros de gasolina a cada 100 quilómetros. Isto é conseguido pela ajuda de um pequeno motor eléctrico acoplado à caixa de velocidades (eDCT), que confere ao conjunto 110cv de potência e 205 Nm de binário. Não se espere grande autonomia de condução eléctrica, apenas alguns metros. A transição para o motor a combustão é suave e relativamente silenciosa.

Se por fora dá nas vistas, pelas formas e detalhes que fazem lembrar um “lego” ou o jogo Minecraft, o interior não lhe fica atrás, com diferentes tons e materiais que casam bem com a paleta de cores da carroçaria, sobretudo as mais divertidas. Os desenhos quadrados da carroçaria conjugam-se bem com as formas ovaladas do interior, seja na consola, seja no tablier, que presta homenagem à história da marca e do modelo, ao representar nos plásticos do painel a pista de testes no edifício Lingotto (em Turim, Itália) — sem esquecer um carrinho com a silhueta do velho Panda a fazer a curva.

O detalhe da “oval” que homenageia o edifício Lingotto, conhecido por ter uma pista de testes no topo. Inclui a silhueta do velhinho Panda
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O interior está bem desenhado e construído, tem espaço e arrumação adequados para o segmento e atenção às tais necessidades mínimas que um automóvel moderno deve satisfazer. Tem alguns plásticos com propensão para riscos, nomeadamente na consola central e nas portas.

Contudo, esta simplificação (que reduz custos) esbarra por vezes em decisões difíceis de explicar. Este carro, que custa mais de 20 mil euros, não dispõe de espelhos de cortesia nas palas do condutor e do pendura.

Baixo consumo

O Grande Panda é construído com a plataforma Smart-Car da Stellantis, a mesma utilizada no Citroën C3 e no Opel Frontera, estratégia que permite ao grupo reduzir custos de produção.

Falamos portanto de um SUV compacto, capaz de acomodar confortavelmente quatro adultos, com uma bagageira em linha com outros modelos do segmento B, dos utilitários (350 litros). Virado para a condução em cidade, tem uma direcção não muito precisa, mas equilibrada para todos os cenários.

Em auto-estrada, além do baixo consumo (no nosso teste fizemos uma média de 5,9 l/100km) sobressai o conforto e estabilidade e, em particular, o “silêncio”; o motor quase não se faz ouvir em velocidade de cruzeiro. Um senão que merece reparo: a aceleração “prego a fundo” demora a responder, comportamento que é preciso ter em conta se precisarmos de “fugir” de uma situação apertada. Fora isso, o motor e a caixa automática assistida pelo motor eléctrico fazem deste híbrido um carro muito fácil e confortável de conduzir.

O pacote de conforto na versão testada (La Prima) inclui o ar condicionado automático (controlado por botões físicos), sensores de estacionamento à frente e atrás e câmara traseira.

Veredicto

A grande virtude do Fiat Grande Panda é a simplicidade e a acessibilidade. Não é o mais estimulante ou apetrechado, mas tem o preço justo para um pacote de conforto, segurança e tecnologia em linha com o que se espera de um veículo utilitário moderno. A estética interior e exterior é particularmente diferenciadora, capaz de cansar rapidamente aqueles que apreciam carros sóbrios. E essa é, a par da economia de combustível, a sua grande vantagem.



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