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Cartas ao director | Opinião


O pacote governamental

Em democracia, todos os cidadãos têm iguais direitos e deveres e é para isso que Governo e Assembleia da República devem trabalhar.

Estando, neste momento, o Governo tão empenhado na aprovação num pacote laboral que, na sua perspectiva, vem modernizar o nosso tecido produtivo e aumentar a competitividade, devia de igual modo criar um Pacote Governamental. Quando um governante ou dirigente não cumprisse as tarefas que lhe foram confiadas, teria de ser despedido, quer se trate de ministro, secretário de Estado ou director-geral.

Todos aqueles que não forem capazes de fazer chegar os apoios àqueles que sofreram danos quer dos incêndios que das tempestades, bem como os que não conseguirem resolver dificuldades na saúde, na contratação de professores, na justiça, todos estes seriam substituídos por empresas com gente competente, recorrendo a outsoursing.

Assim, o Estado pouparia muito dinheiro em salários elevados, viaturas de alta gama e um enorme número de motoristas. E todos nós seríamos beneficiados com maior produtividade e teríamos um Estado que nos serviria muito melhor.

Já agora, o que é feito daquela frota de automóveis eléctricos de gama média que um Governo anterior adquiriu para que os governantes se deslocarem dentro da capital de forma mais sustentável?

António Barbosa, Porto

Concertação Social e lei laboral

O Governo em funções excluiu, à partida, a CGTP das conversações para discussão da Lei Laboral XXI, admitindo a UGT na condição de não tentar alterar muito a proposta do Governo.

A CGTP tem tanto direito de se sentar à mesa da Concertação Social como a UGT. Julgo eu ser por direito próprio e não sujeito a convite. Acontece, porém, que a UGT se portou mal e os patrões mandaram-na para casa. Esta atitude só se compreende se o Governo e patrões estiverem à espera que se crie o “Sindicato dos trabalhadores deputados” para os sentarem à mesa das negociações e receberem o aval de aprovação da tal dita cuja lei laboral.

Agora, os chamados partidos “pequenos” representados na Assembleia da República que se cuidem, porque qualquer dia não são convidados pelo Governo para discutir o “Orçamento de Estado” porque os anteriores foram “chumbados”. Não se pode perder tempo com “pequenos pormenores”.

Rui Pereira, Porto

Ucrânia não é União Europeia

A Ucrânia (ainda) não é União Europeia (UE), nem NATO, e o fim da Guerra na Ucrânia é um tema que tem sido tratado entre Trump e Putin, excluindo totalmente Ursula von der Leyen, Kaja Kallas, António Costa, Emmanuel Macron, Georgia Meloni.

Assim a UE parece que só serve para pagar contas à Ucrânia. Como Donald Trump já arranjou gloriosamente mais trapalhadas, mais guerra, agora no Médio Oriente, cujas consequências indirectas e graves já se estão a sentir na UE, esta deve olhar seriamente para os 27 países, só e unicamente.

A Ucrânia não é o 28.º. E os 90 mil milhões que a União Europeia quer oferecer à Ucrânia devem ficar cá dentro, nos 27, a ajudar, a fazer evoluir a União a 27 e o projecto Europeu.

Augusto Küttner de Magalhães, Porto

O “Bom Malandro”

Mário Zambujal desapareceu-nos. Partiu e deixa saudade. Cultivou o lado festivo da vida, dizendo que ela é querida!

Sorríamos ao vê-lo sorrir. Desempoeirado, não mandava recados, frontalmente, falava com elegância. Simpatia e empatia nunca lhe faltaram, como características idiossincráticas. Dizia, e bem, que a moral também tinha que ver com a honestidade, amenidade e bondade no trato. Teve uma casa de pai e mãe, que lhe deram e ao seu irmão (o célebre caricaturista, Francisco Zambujal), e irmãs, uma boa escola de conduta. O pai, o rigor/honestidade, a mãe, a compreensão/amor.

Já jornalista, aquando do 25 de Abril, esteve três dias fora de casa a viver a liberdade e os seus afazeres jornalísticos. Tinha vincadas preocupações sociais. Não fosse ele alentejano.

Fui ao seu encontro na Feira do Livro. Apertei-lhe a mão e perguntei-lhe: é um “bom malandro”? Riu-se e devolveu-me a pergunta: “com aspas ou sem?”. “Com”, respondi-lhe a sorrir. Riu a mostrar os dentes e adiantou conversa. Ainda lhe disse: “Li e reli a sua interessante obra A Crónica dos Bons Malandros e gostei!” Riu-se com capacidade emocional para se colocar no meu lugar…

O bom humor, a ironia e a alegria pautaram a sua completa vida. Quantas viveu, ao longo dos seus 90 anos? Prezava a individualidade, daí ter sido nato criador: letrista, dramaturgo, jornalista e notado escritor.

Honra a Mário Joaquim Marvão Gordilho Zambujal.

Vítor Colaço Santos, São João das Lampas



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