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Não basta a paixão pelo cinema para aguentar a madrugada dos Óscares. Primeiro é preciso que a tecnologia ajude e o nosso Alexandre Borges, participante veterano no divertido liveblog que fazemos todos os anos para acompanhar a cerimónia, esteve quase em risco de não conseguir assistir, por ter ficado subitamente sem televisão e sem internet. O susto durou apenas dez minutos.
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Além da paixão e da tecnologia, é preciso ir alimentando os cinéfilos. A equipa que estava na redação, comandada pelo editor de Cultura, Tiago Pereira, sobreviveu com a ajuda de uma caixa de salgados, onde o Óscar foi para os croquetes, descritos como “perfeitos” por quem os devorou.
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O Pedro Benevides, host do podcast A História do Dia, assistiu a tudo em casa, com a família a dormir, movido a quadrados de chocolate preto e “pazadas de frutos secos”, enquanto tomava notas para preparar aquele que viria a ser o primeiro episódio do podcast feito em direto, às 6 e meia da manhã, no estúdio da Rádio Observador.
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Normalmente os episódios são gravados e editados na véspera, pela noite dentro, para garantir a sofisticação estética de um dos podcasts preferidos dos portugueses para ouvir quando acordam. Mas desta vez não havia propriamente uma alternativa, tendo em conta a hora a que a cerimónia terminou.
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Corajoso, o Pedro Benevides ainda arriscou dormir apenas uma hora, mas às 6 da manhã já estava a entrar na redação, sob os efeitos de uma quase direta, que o levou a trocar o nome ao filme vencedor: “Uma batalha atrás da outra” em vez de “batalha atrás de batalha”. Nada que beliscasse a excelente conversa que teve com o Tiago Pereira, sobre os vencedores e vencidos da cerimónia que tinha acabado pouco antes.
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Assim que saíram do estúdio, entrou o Bruno Vieira Amaral, membro do painel residente das Manhãs 360, que também passou a noite acordado a escrever para o nosso liveblog sobre a cerimónia. Não apareceu a queixar-se do sono, mas sim do realizador vencedor, Paul Thomas Anderson: “Ele mereceu”. Mesmo assim, teve mais sorte que o Pedro Benevides: conseguiu dormir não uma, mas duas horas. O dobro, portanto.
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O João Francisco Gomes, jornalista do Observador especialista em religião (pode ouvi-lo no podcast As Histórias da Bíblia), ganhou reputação internacional com a investigação premiada aos abusos da Igreja, que deu também origem a um livro.
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Isto da “reputação internacional” enche o Observador de orgulho e vaidade, mas não é só uma coisa bonita de se dizer — é importante ver os resultados na prática. O João foi contactado em 27 de novembro de 2024 pela Anna Kassin, jornalista do CORRECTIV, um meio de comunicação sem fins lucrativos da Alemanha especializado em jornalismo de investigação. Estavam precisamente a aprofundar uma investigação aos abusos sexuais na Igreja Católica a nível mundial.
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Tinham uma pista que revelava a existência de uma possível troca de correspondência entre Roma e a Igreja em Portugal acerca de um caso de abusos no século XX. E propuseram uma parceria para investigar este caso e partilhar a informação da investigação.
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Em causa estava um abuso cometido por um frade franciscano na década de 50, uma pena aplicada nos anos 70 e levantada nos anos 90 pelo cardeal Ratzinger (futuro Papa Bento XVI).
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O João Francisco Gomes conseguiu obter uma carta assinada por Ratzinger em 1991, que acabou por contribuir para o rasto documental que prova que o Vaticano sempre soube de casos de abusos em todo o mundo, há mais de um século — contrariando a narrativa oficial de que apenas começou a tomar conhecimento dos casos nos anos 90.
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O jornalista do Observador conduziu a investigação ao caso em Portugal e ia articulando os desenvolvimentos à distância com os jornalistas alemães, que tiveram também como parceiros o El País, o Boston Globe e o Casa Macondo, da Colômbia. A equipa do CORRECTIV esteve em Portugal em junho de 2025 para filmagens, entre Torres Vedras, Torres Novas, Lisboa e Leiria, onde entrevistaram o bispo José Ornelas.
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No fim da passagem por Portugal, a equipa alemã de filmagens esqueceu-se de uma mala de material no carro do João Francisco Gomes. Ele já tentou enviar-lhes a mala, mas os CTT recusam a encomenda por ter materiais eletrónicos.
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A investigação foi publicada esta quinta-feira em todos os meios envolvidos na parceria. E foi também o tema do podcast A História do Dia. O documentário estreia a 31 de março nos cinemas alemães e não é impossível que seja depois exibido em Portugal: talvez nessa altura os jornalistas alemães possam vir assistir e aproveitem para resgatar a mala recusada pelos CTT.
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Abusos na Igreja
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Frade português foi condenado a uma pena simbólica por abusar de uma rapariga: não ouvir confissões. Em 1991, o futuro Papa Bento XVI reverteu a punição. Nunca foi impedido de contactar com crianças.
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PSD
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Em entrevista ao Observador, Hugo Soares, líder parlamentar e secretário-geral do PSD, fala do momento atual do partido, das críticas a Passos, do Orçamento do Estado e da relação com o PS e Chega.
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BES
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Ex-diretora financeira do BES testemunhou que o autor de vários financiamentos fraudulentos do GES que prejudicaram o BES e os seus clientes terão sido criados por Amílcar Morais Pires, ex-CFO do BES.
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Energia Renovável
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No cimo da serra do Barroso estão a ser montados os super-aerogeradores do Alto Tâmega. Para lá chegar, é preciso um veículo inovador e uma viagem que é curta na distância mas longa no tempo.
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Banco de Portugal
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Ex-governador passou a segunda metade dos anos 90 nos EUA, com bolsa do BdP, e só regressou em 2000. Depois, em 2015, foi para o Governo, regressando em 2020 para cinco anos como governador.
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Banco de Portugal
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O arquivo histórico do Banco de Portugal encerra muitas histórias do banco e do país. No ano em que comemora o 180.º aniversário, o banco central leva-nos a uma visita virtual pelo arquivo.
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Câmara Municipal Lisboa
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Democrata-cristão desde sempre, está na autarquia lisboeta há 38 anos. A sua casa foi palco das negociações entre PS e CDS que selaram os “orçamentos limiano”. Foi assessor de Sampaio em Belém.
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Operação Marquês
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Sócrates tinha advogado antes da sessão. Até à hora de almoço tinha outros dois (um com procuração oficial e outro oficioso). E à tarde foi preciso chamar um quarto. Problema resolvido? Nem por isso.
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Presidência da República
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Reunião das terças-feiras foi iniciativa do Presidente. Conceito de “cooperação estratégica” recuperado. Política externa pode ser foco de tensão com São Bento. A primeira semana de Seguro em Belém
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Parlamento
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PSD, CDS e Chega revogaram, numa primeira votação, regime que permitia mudança de género no registo sem validação médica, gerando polémica no Parlamento. Também ficam proibidas hormonas para menores.
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Tribunal Constitucional
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PS defende o pacto histórico que dividiu o TC entre esquerda e direita. PSD diz que as regras mudaram. Constitucionalistas dividem-se — mas todos admitem que o acordo não tem força jurídica.
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Médio Oriente
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Mais de 4 milhões de pessoas já estão deslocadas no Irão e no Líbano. Crise migratória como a de 2015 pode nunca chegar à Europa, mas melhor prevenção seria ajuda no terreno, alertam especialistas.
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Cuba
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Cuba enfrentava já pior crise da História quando Trump deu o “murro” final e impôs um bloqueio petrolífero. O descontentamento cresceu, mas a solução pode não passar pelo fim do Estado socialista.
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Estados Unidos da América
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Kent tem carreira militar sólida e experiência na CIA. Influente e controverso, esteve em várias polémicas. Demitiu-se em protesto contra a ofensiva no Irão, revelando tensões na Casa Branca.
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BCE
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Mercados estão a prever duas subidas até ao final do ano, para 2,5%. BCE dá a entender que, no cenário-base, talvez não seja preciso subir. Mas em cenários mais adversos inflação pode ultrapassar 4%.
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Igreja Católica
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Como qualquer imigrante, o padre Pablo também enfrentou a “angústia dos documentos”. Agora, foi desafiado pelo cardeal Américo Aguiar a liderar uma paróquia sem território para acolher os migrantes.
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Loures
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Carlos Veríssimo sublinha que é necessário um reforço de médicos para continuar a assegurar escalas. FNAM alerta para falta de camas e de espaço.
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Educação
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Escola de Cascais, onde coexistem alunos pagantes e abrangidos pelos contratos de associação, é um caso raro. Resolução do problema “não é óbvia”, diz ministro.
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Seleção Nacional
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O selecionador nacional recusa falar do futuro e promete foco total no Mundial. Sobre Ronaldo, Martínez aponta para uma “lesão leve”. Entrevista a Roberto Martinez nas quatro rádios de informação.
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Râguebi
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Portugal quis ir a Madrid desafiar a potência Geórgia, sofreu e, no final, voltou a tocar o céu. Capitão fez história em noite de ouro. Presidente não tem medo do futuro, que passa pela Austrália.
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Celebridades
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Dua Lipa é a nova embaixadora global da Nespresso. E Clooney? Continua ligado à marca, mas passa o testemunho à artista com o objetivo de atrair novas gerações, no ano em que assinala 40 anos.
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Música
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Primeiro, as canções e as danças virais. Depois, a faturação astronómica. Agora, o regresso aos discos e concertos: como foi construída a mais popular e rentável exportação cultural da Coreia do Sul?
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Óscares
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Alexandre Borges garante que os Óscares ainda dão boa TV, apesar das falhas na fibra e sobretudo numa noite de consagração para PT Anderson e com Hollywood a não ter vergonha de ser adulta.
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Óscares
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Susana Verde viu a noite grande de Hollywood e prestou especial atenção aos anfitriões e respetivos esforços para alegrar plateia e espectadores. No fim, uma certeza: como não gostar de Conan O’Brien?
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Óscares
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Ambiciosa e inquieta irlandesa, vive numa mansão do século XVI com tetos baixos e habitada por traças: é onde ganha inspiração para as interpretações como a que lhe deu o Óscar de Melhor Atriz.
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Óscares
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Há décadas que transforma convulsões, melancolias e saudosismos de um país em filmes. Há décadas que é aclamado, aplaudido, imitado. Agora, foi premiado com o Óscar de Melhor Realização (e não só).
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Porque não envolver todos os cidadãos, e não apenas corporações de representação duvidosa? Porque não substituir a concertação social por uma concertação democrática?
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É uma tradição os governantes atirarem-se aos banqueiros. Assim o fez recentemente o ministro da Economia, com pouca memória sobre o que nos levou à crise de 2011.
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A “ordem internacional liberal” reivindicava normas morais, a actual desordem segue a lógica dos interesses. A amoralidade da “Guerra das Civilizações” triunfou sobre o idealismo do “Fim da História”.
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Num mundo onde a República Islâmica saia por cima, o preço da energia disparará, as armas nucleares proliferarão e o eixo formado por Moscovo, Pequim e Teerão descobrirá que a chantagem funciona bem.
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Sócrates ridiculariza todos os dias a Justiça. É a segunda falência para que nos arrasta: a económica em 2011 e a da justiça em 2026. Da primeira recuperámos bem e depressa. Da segunda não sei.
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