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Vinte anos do Clube dos Pensadores, uma espécie de trampolim de Gaia para o poder | Debate


Já por ali passaram nomes que subiram a ministro, primeiro-ministro e Presidente da República, mas também a presidente de clube desportivo: são 20 anos a fazer política sem nunca ter um cargo, mas a provocar, aqui e ali, notícias políticas. O Clube dos Pensadores, uma tertúlia que nasceu, em 2006, do empenho cívico de Joaquim Jorge, em Vila Nova de Gaia, chega nesta sexta-feira à 151.ª conferência, com o social-democrata Ângelo Correia como convidado.

“O Clube dos Pensadores é importante quando há campanha eleitoral e foi uma espécie de talismã para alguns políticos. Pedro Passos Coelho, António Costa e Luís Montenegro estiveram cá antes de serem primeiros-ministros. Pedro Santana Lopes disse que foi uma espécie de trampolim. Convidei o André Villas-Boas para uma sessão quando ainda não era candidato e acabou por ser o lançamento da corrida”, enumera ao PÚBLICO Joaquim Jorge. Pedro Duarte, que ganhou a Câmara do Porto em Outubro, esteve no clube em Setembro – como foi apoiante de Luís Filipe Menezes, não fez sessões com candidatos a Gaia.

O fundador do clube justifica a escolha de Ângelo Correia para assinalar o aniversário com o facto de o fundador do PSD encarnar o “espírito livre, desamarrado e solto” do clube. “Há um tema para o convidado falar, mas as perguntas da plateia são complemente abertas. Não queremos chegar a grandes conclusões sobre este ou aquele tema, apenas discutir ideias. Por vezes, há alguma tensão nos debates, como aconteceu naquele em que participou André Ventura. Estava lá um homem com um cartaz, disse o que tinha a dizer. Os encontros servem para isto: qualquer pessoa pode manifestar-se livremente.”

O debate com Ventura aconteceu a meio da campanha da segunda volta das presidenciais e, apesar de António José Seguro ter sido também convidado nessa altura, não respondeu ao convite – mas já ali tinha estado na pré-campanha da primeira volta.

Olhando para estes 20 anos de actividade, Joaquim Jorge admite que o ritmo de debates tem diminuído. “Se começasse agora não conseguia fazer o que fiz. No princípio, fazia dez a doze debates por ano, agora são meia dezena, se tanto.” Há menos protagonistas políticos? “A televisão está cheia de debates e os políticos estão mais tácticos: preferem a TV porque não são interpelados cara a cara pelas pessoas, praticamente sem rede, que os podem questionar sobre qualquer coisa e não apenas sobre a notícia do dia como na televisão. E durante mais tempo do que num estúdio.” Em 2019, Joaquim Jorge chegou mesmo a anunciar o fim do Clube dos Pensadores depois de criar uma plataforma de candidatura independente à Câmara Municipal de Matosinhos para 2021.

Desde o primeiro debate, com o jornalista Vicente Jorge Silva, também passaram pelo Clube dos Pensadores nomes como Marcelo Rebelo de Sousa, Rui Rio, Jerónimo de Sousa, Catarina Martins, Alberto João Jardim, Henrique Gouveia e Melo, Paulo Portas, Mário Nogueira, Mariana Mortágua, Manuel Alegre, Garcia Pereira, Medina Carreira, Arménio Carlos. Mas também gente de fora da política, como Belmiro de Azevedo, Alexandre Soares dos Santos, Sobrinho Simões, Jorge Miranda, Júlio Machado Vaz, Rui Reininho, Pedro Abrunhosa, Vítor Baía ou Tiago Monteiro.

Joaquim Jorge diz que nunca conseguiu um sim de Cavaco Silva e sobre os actuais líderes partidários também lhe faltam a liberal Mariana Leitão, Rui Tavares (Livre) e Inês de Sousa Real (PAN).

A conversa de Ângelo Correia nesta noite, no Hotel Holiday Inn Porto-Gaia, será sobre a geopolítica do Médio Oriente, mas a actualidade política nacional promete ocupar o palco, ou não fosse o social-democrata um crítico da governação de Luís Montenegro (e das suas escolhas partidárias, como a indicação de Sebastião Bugalho para liderar a lista da AD às europeias) e um antigo aliado de Pedro Passos Coelho. Apesar de também ter chegado a ser crítico do antigo primeiro-ministro do PSD e de os dois se terem distanciado desde 2013, o fundador do PSD e antigo ministro já antevia o regresso de Passos Coelho ao espaço político há dois anos, dizendo ao PÚBLICO que este queria regressar à acção política e até à liderança do PSD.



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